30 de janeiro de 2022

Chico, O Velho


Depois de percorrer os inúmeros caminhos que os diversos gêneros textuais oferecem, Ronaldo Pereira de Lima, o Ron Perlim, se inscreve, definitivamente, como um nome a ser firmado no cenário da Literatura voltada para o público juvenil com poemas e contos reconhecidamente premiados.

Agora, a proposta é nos apresentar personagens ricos em sentimentos, em filosofias sociais contemporâneas, em contradições existenciais, traçando o perfil de seu povo, de seu lugar, da linguagem que comunica (mesmo quando não fala), que critica (mesmo quando elogia), que se mostra (mesmo quando se esconde), que vive vida real (mesmo que na ficção).

Ronaldo traz em mais um de seus surpreendentes livros a mostra do que é a vida simples de um povo às margens do rio que há muito não é mais um rio, e sim um filete de esperança de um dia voltar a ser grande e abundante.

Chico, personificação do Rio São Francisco, sofre e deixa transparecer nas angústias de seus frequentadores, nas agonias das cidades que o margeia, a dor da escassez, o medo de não ter o amanhã, a tristeza das incertezas e força da esperança nordestina.

O livro é mais uma excelente obra de ficção que retrata o mundo simples, a gente simples, ao tempo em que faz uma denúncia e um alerta à reflexão sobre os aspectos sociais que a degradação do Rio São Francisco provoca nos moradores ribeirinhos.

E é através de uma literatura engajada, que pensa e reflete a sociedade pelo viés do imaginário, que nosso jovem público leitor vai viajar no rio e na vida ficcional dele emanada para a comunhão deste livro.

É isso que encontraremos na tranquila e reflexiva leitura de Chico, o Velho.

DILMA MARINHO DE CARVALHO, professora especialista em Literatura Brasileira, pela Universidade Federal de Alagoas, ministrante de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação para o Ensino Médio na rede pública de Alagoas.

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11 de abril de 2020

Escola Original do Índio

Por Nhenety Kariri-Xocó
O território original indígena é o seu mundo completo com o sol, estrelas, lua, nuvens, rio, serras, florestas, animais, chuva, tudo que estar no céu e na terra, tudo pronunciado na língua nativa.
A Terra Indígena não é uma demarcação com um pedaço de mundo incompleto, quadrada cercada com arame farpado, com marco artificial.
O território original do índio é a união da abóbada celeste o sol, lua, estrelas ao lugar onde ocupamos. Os astros nascem e se põe em nossas terras, perfazendo no céu iluminado a noite até o dia o sol no solo num horizonte circular de cor azul . Os limites estar onde o céu se encontra com a terra, serras, floresta, rio , numa forma arredondada.
A terra indígena tem diversidade cultural e biológica: lugares de habitar, adorar, plantar, caçar, coletar, pescar, brincar e comemorar.
A tradição ensina que o índio com a natureza aprendeu, a coletar plantas, frutos, plantar para o seu alimento, fazer arco e flechas para caçar, e canoas de pescar ,  também ocas onde morar.
No aprendizado os antepassados deixou a tradição na cultura, arte, história , meio ambiente , na religião indígena sua relação com o criador do mundo.
Nossa ensino estar na natureza viva, aprenderemos a fazer fogo, plantar, curar, fazer oca, arco, flecha, cachimbo, maracá, brinco, canoa, puceira, cocar, pintar o corpo, confeccionar cerâmica, sexto de cipó, reaprender o modo nativo de viver em comunidade.
Neste espaço de aprendizado o índio ganha mais conhecimento , para manter suas origens nativas para dialogar com outros povos de nosso planeta.
A aldeia fica no centro da Terra Indígena, deste ponto forma um raio para um a linha circular no horizonte, seja uma serra, rio , mar ou floresta, teremos uma dimensão matemática para encontrar a área da circunferência a fórmula é (Pi x R²) do horizonte terrestre deste mundo nativo.
A Aldeia Kariri-Xocó fica às margens do rio São Francisco, daí seguimos um raio de 31 Km para a Serra da Marabá ao Norte. A área do círculo do horizonte no território original é 3.017 Km² ou 301.700 hectares.  O Sol nasce no leste atrás do morro do Itiúba e se põe ao Oeste atrás do morro do Jundiaí no outro lado do rio. O rio São Francisco corre em direção Norte a Sul da Terra Indígena .
Nos tempos imemoriais a aldeia tradicional era localizada num lugar especial, que pudesse ter uma visão total do horizonte circular completo. A aldeia era local de observação do mundo, dos fenômenos celeste e terrestre, do tempo, das estrelas, das chuvas, conhecer os sinais do que iria acontecer.
Cada Terra Indígena é específica, tem suas coordenadas geográficas diferentes, cada povo tem seu horizonte, seu mundo. Após cada círculo de horizonte começa outro de cada povo, isso era nos tempos imemoriais. Atualmente na Terra Indígena existe vários povos compartilhando o mesmo espaço, índios, brancos, negros, e outras etnias do Brasil e do mundo.
Com a chegada dos colonizadores os índios alterou os locais de escolha das aldeias. Passaram a construí suas tabas em locais com visão restrita do horizonte para esconder seu povo dos ataques do inimigo.

Nhenety. Escola original do índio. http://kxnhe
nety.blogspot.com/2018/12/escola-original-do-indio.html. Acesso em 15 de Agosto de 2019.
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19 de julho de 2019

Ata da audiência Pública sobre o Coreto

Sala onde ocorreu a Audiência Pública
A Audiência Pública realizada no dia 09 de julho de 2019 resultou numa Ata onde "(...) o Município se compromete em firmar Termo de Ajustamento de Conduta Junto ao Ministério Público Estadual, como forma de implementar tudo aquilo que fora acordado e discutido; (...) a formação de comissões e conselhos de preservação deste patrimônio, a restauração fidedigna do coreto, manutenção do pirulito e revitalização dos demais espaços, bem como a apresentação de cronograma da reforma, e a apuração de responsabilidade.

Ron Perlim exibe foto histórica do Coreto

A íntegra da Ata da Audiência Pública pode ser lida clicando neste aqui.




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12 de julho de 2019

Pronunciamento do escritor Ron Perlim sobre a demolição do coreto

Audiência Pública

09 de julho de 2019. Centro Administrativo. Cidade de Porto Real do Colégio, Alagoas.
Pronunciamento do escritor Ron Perlim sobre o ato imprensado da administração que demoliu parte do Coreto que se encontra na Pça. Rosita de Góes Monteiro.
Leia a íntegra do pronunciamento aqui.

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