21 de abril de 2014

O Pablo Picasso alagoano

Quem vai com frequência ao Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, de Maceió, certamente já deve ter apreciado diversas obras de arte, dentre as quais se destaca um belíssimo painel que retrata camponeses alagoanos. Este quadro é de autoria de Orlando Santos.

De repente, você já viu quadros do mesmo pintor em hotéis (Ritz Lagoa da Anta), restaurantes e casas de Maceió, inclusive na minha.

Tão logo vi pela primeira vez sua obra, fiquei fascinado (estava na casa de uma amiga, Clarissa Soares). Procurei-o imediatamente, que me recebeu com muita atenção em sua casa/ateliê, no Eustáquio Gomes, em Maceió.

Chegando lá, vi sua vasta produção, de estilo inconfundível: o cubismo, com tons regionais.
Natural de Porto Real do Colégio-AL, Orlando Santos já participou de várias exposições. Em seu site, consta que: “Artes plásticas e cultura popular. A união dessas vertentes se torna um prato cheio nas mãos do cubista alagoano Orlando Santos, que consegue transmitir com pinceladas a grandeza e o colorido das manifestações folclóricas do Nordeste. Seus quadros podem ser vistos em hotéis, pousadas, escolas, e lojas, e também no saguão do aeroporto Zumbi dos Palmares (Os Camponeses – Acervo Infraero), em Maceió”.

Recebeu a seguinte crítica de BeneditoRamos.

“É aquele artista que consegue cristalizar sua obra num estilo marcante e pessoal. Dono de um colorido rico, de texturas luminosas e belas transparências, criou um desenho firme que se acentua, multifacetado compondo harmoniosamente cada obra. Conhecedor das manifestações populares do povo nordestino, abriga sua composição sob um suporte de brasilidade inconfundível. Suas figuras parecem estar atentas, ora olhando firmemente o observador, ora absortas na paisagem que lhe circulam. Como uma colcha de retalhos, assim é sua obra, o artista vai preenchendo os espaços entre a cor e a forma sugerindo imagens que apenas se delineiam. Mas, é sobre tudo a cor, é esta cor que parece pousar levemente sobre o objeto, escondida entre tantas outra cores menor, que nos leva a formar nossa imagem particular. Aquela imagem que surge num traço, num gesto apressado, numa sombra disfarçada. É nesse recanto longínquo da nossa percepção que o artista reserva toda profundidade e o caráter social de seu trabalho. É quando descobrimos a melancolia escondida no olhar de suas figuras. Uma tristeza que se disfarça na seriedade dos rostos, é a própria luz noturna da paisagem urbana que peramula até o bruxuleio da madrugada. É assim que, Orlando Santos consegue nos revelar esta relação profunda do artista com sua gente”.